EFEMÉRIDE

Sabatina acabou por dar lição em Vagos

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Despertou invulgar interesse, em Vagos, a emissão do «Sabatina» transmitida ao vivo, num sábado de janeiro. O popular programa, realizado por Sansão Coelho e Carlos Armando de Campos, apoiados por uma equipa técnica, destacada para o efeito para a Vila. Foi para o ar diretamente da sala de leitura do Centro de Educação e Recreio (CER), coletividade a quem se ficava a dever, em parte, a referida iniciativa. Durante o espaço de três horas, dedicado a Vagos, «Sabatina» levou a todo o país (a emissão foi transmitida a nível nacional), numa amostragem tanto quanto possível realista, algumas das enormes potencialidades da região, nomeadamente dos seus aspetos turísticos, cultural e agrícola.
O Grupo Folclórico de Santo António, Coral de Calvão e a Banda Vaguense, fizeram-se ouvir com muito agrado. Foi pena que o Orfeão de Vagos, cujas tradições no campo musical bem conhecidas, por inesperadas dificuldades, não pudessem dar o seu concurso à iniciativa. O presidente do CER, Basílio de Oliveira, em entrevista, destacou a sua coletividade e das dificuldades por que tem passado, para construir uma sede condigna, realçando o insuficiente apoio do atual Ministério da Cultura. Também João Ferreira, diretor do mensário «Eco de Vagos», abordou os problemas da imprensa regional, apontando algumas das metas para a sua sobrevivência. Outras presenças de registo foram ainda Armando Pimentel, pintor cerâmico da Fábrica Vista Alegre, um antigo salineiro e jovens vaguenses, todos naturais da região, e também o mítico pescador da Vagueira bem conhecido João da Murtosa.
De realçar o profissionalismo, demonstrado pela equipa do «Sabatina», e a colaboração que lhe terá prestada em Vagos. Sansão Coelho, Carlos Armando de Campos e a restante equipa, para além das inúmeras lembranças com que foram obsequiadas no final, foram ainda homenageados pelo Centro de Educação e Recreio, durante um almoço íntimo, que terá decorrido num restaurante local.
O costumado «passeio do Sabatina», foi escrito pelo então correspondente do «Soberania do Povo», com sede em Águeda, que haveria de denunciar aquilo que mais podia ser admirado nesta zona ribeirinha. Terra de João Grave, poeta escritor e jornalista, as «pinceladas» em jeito de passeio davam conta das gentes que tinham partido para outras paragens – Venezuela América e Austrália, mas também Alemanha França e Luxemburgo. A ermida de Nossa Senhora de Vagos, santuário erguido em local aprazível onde, para além das grandes peregrinações, costumam ir romeiros à procura de tranquilidade e refúgio espiritual. Afinal em qualquer quinhão de terra, veio de água ignorado, há-se sempre correr um braço de solo, à espera continuamente de alguém que lavre «este chão abençoado».

Eduardo Jaques

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