ECO DA SANTA CASA

A sustentabilidade das instituições da economia social

Tem a Palavra a Mesa
Caro leitor, a Santa Casa da Misericórdia de Vagos, é uma IPSS, Instituição Particular de Solidariedade Social. Este carimbo, significa, grosso modo, uma organização focada no serviço em vez do lucro.
Não quero elaborar muito, sobre o porquê deste modelo de financiamento, em que o Estado paga, no todo ou em parte, para prestarmos um serviço aos cidadãos. Mas a verdade, é que genericamente estas instituições tem problemas de sustentabilidade financeira. Uns clamam que o setor está subfinanciado. Poderá estar, contudo, uma gestão rigorosa e inovadora em todas as dimensões, é um caminho que atenua este desafio, do qual, que me lembre, sempre ouvi falar. Temos vários exemplos, onde colocar dinheiro em cima de problemas, é apenas paliativo. O bicho morre temporariamente e depois ressuscita.
Deixando a filosofia e a retórica de lado, quero agora falar, sobre uma dimensão da gestão das organizações, que é transversal a todas as áreas de atividade da mesma. A manutenção programada (dita também preventiva) de equipamentos, e o seu contributo para a redução do custo operacional da organização. Este conceito, é obrigatório nos ditos “sistemas críticos” por razões obvias, mas hoje está generalizado. Experimentem não fazer a manutenção programada do vosso automóvel e esperem pela surpresa. É uma questão de tempo, até que a prenda apareça no sapatinho, em forma de “multa” e na pior altura. Lei de Murphy.
Vamos então aos dados. As faturas de energia (gás mais eletricidade), na nossa instituição, nos 10 anos de 2012 a 2022 representaram 3% do total da receita. A tendência, é crescente (em 2022 foi 4,2%), não só por razões de aumento do custo em si, mas também porque os padrões de consumo aumentaram. As exigências de conforto térmico são maiores, e bem. Para não complicar, estou a deixar de fora o custo dos equipamentos e os respetivos ciclos de vida (que podem ser aumentados com a tal manutenção referida acima). Esse valor anda muito próximo do 1% ao ano sob a forma de depreciação do investimento e custo do próprio serviço de manutenção / reparação.
Qual é então o desafio? É travar o crescimento deste custo, o mais que pudermos! A nossa estratégia assenta no caminho ditado pela consciência ambiental, de redução da geração direta de dióxido de carbono, pelo consumo de gás, e transferir faseadamente essas funções para tecnologias que usem a eletricidade, a exemplo das bombas de calor elétricas, e ao mesmo tempo, aumentarmos a nossa capacidade de geração de eletricidade para autoconsumo, com o aumento da área de painéis fotovoltaicos e respetivo sistema de conversão. A juntar a isto, temos os sistemas solares térmicos para ajuda na geração de águas quentes sanitárias. Como se depreende, todo este sistema para gerar conforto térmico, é diversificado, e para que funcione afinado, obriga a manutenção preventiva e registos semanais de funcionamento, para que possamos aferir do bom desempenho dos mesmos (conforme as especificações). Como disse Peter Drucker, embora para um contexto mais abrangente, “Ninguém consegue gerir o que não consegue medir”.
Voltando ao título, a sustentabilidade também se potencia pela via da poupança. E é verdade em todas as áreas.
Votos de uma Páscoa Feliz: para os nossos colaboradores, leitores, clientes e amigos.
João M. C. Domingues
Mesário Vice-Provedor

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